Isaías enfraquece, mas pode deixar até 250 mm de chuva nos Apalaches
O centro do Isaías estava a 10 km de Birmingham, no Alabama, com vento de 45 km/h, bem longe da fúria que o trouxe até os Estados Unidos. O perigo agora é a água: o WPC prevê até 250 mm de chuva em pontos dos Apalaches do sul, com enchente repentina e deslizamento de terra.
O Isaías sobre o Golfo do México em 8 de outubro, antes de seguir para o sudeste dos EUA. Imagem: GOES, CSU/CIRA e NOAA, Wikimedia Commons, domínio público, reduzida.
O Isaías enfraqueceu e virou ciclone pós-tropical, mas ainda pode deixar de 3 a 6 polegadas de chuva (76 a 152 mm) nos Apalaches do sul, com até 10 polegadas (cerca de 250 mm) em pontos isolados. O dado vem do boletim nº 17 do Centro de Previsão Meteorológica dos EUA (WPC), emitido às 16h do Alabama, 18h em Brasília, neste sábado (10).
Onde o Isaías está agora
Segundo o boletim, o centro estava a 10 km a oeste de Birmingham e a 290 km ao sul de Nashville, no Tennessee. O vento sustentado era de 45 km/h, a pressão de 1.007 milibares, e o sistema andava para nornordeste a 24 km/h.
O nome do sistema mudou. O glossário do Centro Nacional de Furacões (NHC) define ciclone pós-tropical como um ex-ciclone tropical sem características tropicais suficientes, que mesmo assim pode seguir com chuva forte e vento. É o caso do Isaías.
Quanta chuva vem e onde ela cai
O WPC aponta duas faixas com 3 a 6 polegadas: os Apalaches do sul, do nordeste da Geórgia ao oeste das Carolinas, e a costa alta da Carolina do Sul até o leste da Carolina do Norte. O máximo local chega a 10 polegadas, cerca de 250 mm.
No resto do Sudeste, até o norte da Flórida, o acréscimo é de 1 a 2 polegadas, ou 25 a 51 mm. O boletim fala em enchente repentina, urbana e de rio, com impacto considerável e deslizamento de terra nos Apalaches.
No mapa de chuva do WPC, os maiores totais das próximas 24 horas ficam no oceano, ao largo das Carolinas, com manchas de 4 a 8 polegadas. Sobre as montanhas, as faixas verdes e amarelas indicam de 1 a 4 polegadas. A legenda avisa que o máximo local pode ser maior que o desenhado.
O risco de enchente tem endereço no mapa
O mapa de chuva excessiva do WPC marca risco moderado de enchente repentina, de pelo menos 40%, numa mancha no norte da Geórgia, na divisa com as Carolinas e o Tennessee. Em volta, o risco é leve (15% ou mais) em boa parte da Geórgia, das Carolinas e do litoral até a Carolina do Norte.
No oeste do Panhandle da Flórida, a cheia significativa de rios chega ao pico entre este sábado e domingo, de acordo com o boletim.
Vento, tornados e ressaca além da chuva
Há alerta de vento forte em partes dos Apalaches do sul e aviso de vento no Mid-South e nos Apalaches. O boletim prevê quedas de energia isoladas e árvores caídas, com risco maior em terreno elevado, e a chance de alguns tornados no leste da Geórgia e nas Carolinas neste sábado.
As ondulações do Isaías continuam a atingir as costas do Golfo nos EUA, no México e no oeste de Cuba no fim de semana. O NHC fala em ressaca e corrente de retorno com risco de vida.
Para onde o Isaías vai e quando acaba
A discussão técnica do WPC traz as posições previstas. O centro deve seguir para nordeste e acelerar no domingo, sempre sobre terra e com vento de 45 km/h, até se dissipar na madrugada de segunda (12), em Brasília.
| Horário em Brasília | Posição prevista do centro | Vento |
|---|---|---|
| Sáb. 10, 18h (dado real do boletim) | 33,5 N, 86,9 O, 10 km a oeste de Birmingham (AL) | 45 km/h, pós-tropical |
| Dom. 11, 3h | 35,2 N, 86,0 O, já sobre terra | 45 km/h |
| Dom. 11, 15h | 37,9 N, 81,9 O, cerca de 665 km a nordeste de Birmingham | 45 km/h |
| Seg. 12, 3h | Dissipado | Sem previsão de vento |
Arte: Watts & Wild, com dados do boletim e da discussão nº 17 do WPC (10 de outubro de 2026, 16h no horário do Alabama). Horários convertidos de UTC para Brasília; distância calculada pela redação.
Pelo boletim, a força quase não muda nas próximas 48 horas. A chuva, e não o vento, é o que mais pesa até o sistema se desfazer sobre as montanhas.
O que já se sabe do estrago
A Folha de S.Paulo noticiou neste sábado quatro mortes e cerca de 670 mil clientes sem energia nos EUA, em reportagem da correspondente em Washington. Os boletins do WPC não trazem balanço de vítimas nem de falta de luz, e esses números podem mudar.
O Isaías é o sistema que a matéria anterior do site descrevia como tempestade tropical no Golfo, com previsão de virar o primeiro furacão do Atlântico em 2026, numa temporada que chegou a outubro como mostra o balanço do Atlântico e do Pacífico.
A mudança de nome segue a lógica explicada em tropical, subtropical e extratropical. No Pacífico, perto do México, o ano teve o furacão Polo, de categoria 5, por duas vezes.
Isaías: o que a previsão ainda não garante
Os números são previsão, não medição. As 10 polegadas valem para pontos isolados, não para toda a região, e o próprio mapa diz que o máximo local pode passar do desenhado. Os alertas também mudam com cada boletim.
O próximo boletim completo sai às 22h no Alabama, meia-noite de domingo em Brasília. Quem está nas áreas citadas deve seguir o escritório local do Serviço Meteorológico dos EUA, em weather.gov.
Fontes: WPC/NWS, boletim nº 17 do ciclone pós-tropical Isaías, 10/10/2026. WPC/NWS, discussão nº 17. NHC, glossário. WPC, previsão de chuva. WPC, risco de enchente. Folha de S.Paulo, 10/10/2026.
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