Ciclone extratropical, subtropical e tropical: veja a diferença entre os três tipos definidos pelo Inmet e pela Marinha, e por que o Sul do Brasil concentra a maior parte dos casos registrados no país
O Inmet e a Marinha do Brasil classificam os ciclones em três tipos: extratropical, o mais comum no país e sempre ligado a uma frente fria; subtropical, concentrado no litoral Sudeste e na Bahia; e tropical, que só atingiu o Sul do Brasil uma vez, em 2004.
O Furacão Catarina fotografado por satélite da Nasa em 27 de março de 2004, ao largo do litoral de Santa Catarina, o primeiro furacão já registrado no Atlântico Sul. Foto: Nasa/Wikimedia Commons (domínio público).
Todo ano, o noticiário do Sul do Brasil menciona algum ciclone chegando pelo Atlântico, mas nem todo sistema é igual. O Inmet e a Marinha do Brasil usam três classificações diferentes para descrever o mesmo tipo de fenômeno: extratropical, subtropical e tropical.
O alerta vermelho que atingiu o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e o Paraná em 21 de setembro de 2026, ligado a um ciclone extratropical clássico, mostra o tipo mais comum. Já o caso que abriu exceção na história do país aconteceu em março de 2004.
A diferença está na origem e na temperatura do centro do sistema. O extratropical nasce ligado a uma frente fria e domina o Sul do país. O subtropical tem características mistas e aparece mais perto do Sudeste. Já o tropical é raríssimo no Atlântico Sul e só apareceu uma vez no litoral brasileiro, batizado de Catarina.
O ciclone extratropical é o mais comum no Brasil e vem sempre com frente fria
O Inmet define o ciclone extratropical como um sistema de baixa pressão formado entre as latitudes de 30° e 60°, sempre associado a uma frente fria. É o tipo mais frequente no território brasileiro, presente o ano todo, com pico no inverno.
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Esse é o sistema que já provocou dois alertas oficiais no Sul em setembro de 2026: o alerta vermelho de 21 de setembro e o alerta laranja de 18 de setembro, ambos ligados a ciclones extratropicais que se formaram perto da Argentina.
Leia também: o que o Inmet espera do El Niño que pode ser o mais forte desde 1950 nesta primavera.
O ciclone subtropical é um meio-termo, mais raro no Sul do país
Já o ciclone subtropical reúne traços dos outros dois tipos, segundo o Inmet: nasce entre 20° e 40° de latitude, geralmente na primavera, e nem sempre vem com frente fria. É mais comum entre o litoral do Sudeste e a Bahia.
Seu núcleo tem temperatura quente perto da superfície e mais fria no alto, uma mistura que o torna geralmente menos intenso que os outros dois tipos, de acordo com o próprio Inmet.
O ciclone tropical é o mais raro de todos e nunca vem com frente fria
O terceiro tipo, o ciclone tropical, forma-se entre as latitudes 20° sul e 20° norte, sobre oceanos quentes, e nunca aparece associado a uma frente fria, segundo o Inmet. É o sistema que dá origem aos furacões e tufões.
Foi justamente esse tipo raro que surpreendeu o Brasil em 2004, quando o litoral de Santa Catarina registrou o primeiro furacão já visto no Atlântico Sul, batizado de Catarina pela imprensa da época.
Por que o litoral do Rio Grande do Sul e do Uruguai favorece a formação de ciclones
Um estudo de meteorologia sinótica sobre a América do Sul aponta o litoral do Uruguai e o norte da Argentina como uma das áreas de maior densidade de formação de ciclones do hemisfério, mais ativa no inverno e na primavera.
O motivo é a diferença de temperatura entre o continente, mais quente, e o oceano, mais frio, resfriado pela corrente das Malvinas, um contraste que ajuda a formar o giro típico desses sistemas perto da costa gaúcha.
O Furacão Catarina foi mesmo um furacão?
Na noite de 27 de março de 2004, o sistema chegou ao litoral entre Criciúma e Torres, na divisa entre Santa Catarina e o Rio Grande do Sul. Ele tinha começado a se formar cerca de 1.000 km mar adentro, em 24 de março, segundo nota conjunta do Inpe e do Inmet.
Na época, a nota oficial do Inpe e do Inmet, publicada em 29 de março, negou que fosse um furacão. O boletim tratou o sistema como um ciclone extratropical com características híbridas na fase final. Essa leitura só mudou anos depois, quando mapas de reconstituição passaram a classificar seu pico pela escala Saffir-Simpson, a mesma usada para furacões.
A classificação de um ciclone pode mudar enquanto ele ainda está no mar
O caso Catarina mostra que um sistema pode nascer como ciclone extratropical comum e ganhar, ao longo de poucos dias, feições de furacão sem nunca virar oficialmente um. É por isso que a classificação inicial de um ciclone não é definitiva.
Nenhum texto explicativo substitui o aviso em vigor no momento, porque o tipo e a força de um ciclone mudam enquanto ele ainda está sobre o oceano, antes de chegar à costa.
Como acompanhar um ciclone perto da costa brasileira antes de sair para o mar
O canal oficial para saber se há um ciclone sendo monitorado agora é o Centro de Hidrografia da Marinha, responsável pelo Serviço Meteorológico Marinho e pelos avisos especiais de ciclone subtropical ou tropical na área marítima sob responsabilidade do Brasil, a chamada Metarea V.
O Inmet também mantém alertas de tempestade, vento forte e granizo em terra, os mesmos que valeram para o Sul em setembro. Antes de ir ao mar, pescar ou viajar, o certo é checar o aviso oficial em vigor, nunca um texto explicativo como este. Sua cidade já ficou sob algum desses alertas em 2026? Conte nos comentários.
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