O furacão Polo toca terra na Baja California Sur, no México, com ventos de 175 km/h, depois de uma semana em que passou duas vezes pela categoria 5, a mais alta da escala, com ventos medidos por avião caçador de furacões
O furacão Polo, do Pacífico, tocou terra na Baja California Sur, no México, com ventos de 175 km/h, na categoria 2. Uma semana antes, ele saltou de tempestade tropical para a categoria 5 em pouco mais de um dia. O NHC prevê chuva de até 300 mm e segunda chegada em Sonora.
O Polo no auge, às 21h UTC de 25 de setembro, com 287 km/h de vento e o olho pequeno bem marcado no meio da espiral. Imagem: NOAA/NESDIS/STAR, satélite GOES-18 (domínio público).
O Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC) acompanha o Polo desde 20 de setembro de 2026, quando ele ainda era uma depressão tropical na costa sudoeste do México. Nove dias e 34 boletins depois, o furacão chegou à península da Baja California.
O Polo tocou terra na Baja California Sur como furacão de categoria 2, com ventos sustentados de 175 km/h. Ele já tinha sido categoria 5, o nível máximo da escala Saffir-Simpson, em dois momentos: em 22 e em 25 de setembro, com 287 km/h.
Furacão Polo: onde ele está e o que vem agora
No boletim 34A, das 23h de segunda, 28, no horário local (3h em Brasília), o centro do Polo tocava a costa oeste da Baja California Sur. O ponto fica logo ao sul de Las Barrancas, a 130 km ao norte de Cabo San Lázaro. Os ventos eram de 175 km/h, com pressão central de 965 hPa.
Três horas antes, no boletim 34, ele ainda tinha 185 km/h. No boletim 35, das 6h em Brasília, o Polo já tinha caído para 130 km/h, na categoria 1, a 55 km de Loreto. O NHC prevê que ele chegue ao sul de Sonora no fim da manhã de terça, 29, ainda como furacão.
Depois disso, o Polo deve perder força rapidamente sobre as montanhas do México e se desfazer até quarta, 30.
Atualização: as duas chegadas do Polo ao México
Atualizado em 1º de outubro de 2026 com a imagem e o resumo do NASA Earth Observatory de 30 de setembro.
O Polo tocou terra na Baja California Sur por volta das 23h locais de 28 de setembro, 6h de 29 de setembro em horário universal. Segundo o NHC, citado pela NASA, ele provavelmente chegou como furacão de categoria 2.
Depois cruzou a península e o golfo da Califórnia e tocou terra pela segunda vez perto de Guaymas, em Sonora, por volta do meio-dia de 29 de setembro, já mais fraco. O NHC alertou para ventos perigosos, ressaca e chuva capaz de causar enchentes e deslizamentos na Baja California Sur e em Sonora.
De tempestade a categoria 5 em pouco mais de um dia
Na manhã de 21 de setembro, o Polo tinha ventos de 100 km/h, força de tempestade tropical. Às 21h UTC do dia 22, chegou a 287 km/h. Foram cerca de 185 km/h a mais em 30 horas, segundo os boletins do NHC.
Na discussão técnica 7, o meteorologista de plantão escreveu que a taxa de intensificação das 24 horas anteriores era "verdadeiramente notável", com um ganho de cerca de 90 nós, perto de 167 km/h.
O avião caçador de furacões mediu pressão de 892 hPa
Na tarde de 22 de setembro, um avião da NOAA voou dentro do Polo. Segundo a discussão técnica 9, a aeronave encontrou pressão central de cerca de 892 hPa, um valor que o NHC chamou de extremamente baixo.
O vento a 3 km de altitude chegou a 311 km/h. Com esses dados, o centro fixou a intensidade em 155 nós, 287 km/h, e disse que a escolha era conservadora.
A segunda vez na categoria 5, com medição por drone
O Polo perdeu força entre 23 e 24 de setembro e voltou à categoria 5 na madrugada do dia 25. Naquela tarde, um avião de pesquisa da NOAA lançou um drone dentro da tempestade, conforme a discussão técnica 21.
O drone mediu vento de pouco mais de 200 nós, cerca de 370 km/h, a menos de 500 metros de altitude. Pelo modelo usado pelo NHC, isso equivale a 150 a 155 nós junto à superfície, perto de 285 km/h.
Por que o Polo enfraqueceu antes de chegar
A partir de 26 de setembro, o furacão entrou em águas com menos calor acumulado e passou a enfrentar vento mais forte em altitude, o chamado cisalhamento. Caiu para 195 km/h no dia 27 e para 185 km/h na noite do dia 28.
Na véspera da chegada, o NHC notou que o olho estava se fechando nas imagens de satélite, sinal de que o Polo estava menos organizado. Mesmo assim, manteve a classificação de furacão de grande porte.
Chuva de até 300 mm na Baja California Sur
O NHC prevê de 150 a 300 mm de chuva em partes da Baja California Sur e de 100 a 150 mm no sul e no centro de Sonora, com pontos de até 200 mm. O risco é de enchentes repentinas e deslizamentos, principalmente em áreas de relevo íngreme.
O vento com força de furacão se estende até 65 km do centro, e o de tempestade tropical, até 165 km. Na costa, a elevação do mar pelo vento deve vir acompanhada de ondas grandes e destrutivas.
Os avisos de furacão em vigor no México
O aviso de furacão cobre a costa oeste da Baja California Sur, de Punta Abreojos a Santa Fe, e a costa leste, de Loreto a Bahía San Juan Bautista. No continente, vale de Bahía Kino a Huatabampito, em Sonora.
Há ainda vigilância de furacão e aviso de tempestade tropical em trechos vizinhos, até Punta Eugenia e Topolobampo. O NHC orienta os moradores a seguir o serviço meteorológico mexicano.
Os restos do Polo vão chegar aos Estados Unidos
Mesmo depois de se desfazer, a umidade do Polo deve se juntar a uma baixa pressão sobre o sudoeste dos Estados Unidos entre terça e quarta, segundo a discussão técnica 34. A previsão é de chuva forte e enchentes repentinas na região.
Há aviso de vento para partes do sul do Novo México e do extremo oeste do Texas, com rajadas fortes previstas para o fim da terça, 29.
Nolo, o outro furacão forte do Pacífico
O Polo não está sozinho. No Pacífico central, o furacão Nolo seguia na noite de segunda como furacão de grande porte, com ventos de 205 km/h e pressão de 945 hPa, a 665 km de Honolulu, pelo boletim 34 do Nolo.
Há aviso de furacão para o Monumento Nacional Marinho de Papahānaumokuākea, uma área protegida de ilhas e recifes no noroeste do Havaí, a partir de terça.
No fim, o Nolo não tocou terra, mas foi o terceiro furacão da temporada a passar perto do Havaí. Ele despejou mais de 30 centímetros de chuva em partes de Maui e da Ilha do Havaí, segundo a NASA, com estradas alagadas, árvores derrubadas e deslizamentos.
Uma temporada acima da média no Pacífico
Até 28 de setembro, o Pacífico nordeste e central já somava 20 tempestades com nome, nove delas furacões, diz a NASA. A média de 1991 a 2020 para a mesma data é de 13,5 tempestades e 7,4 furacões. A energia acumulada dos ciclones na região passava do dobro do normal, pelos dados da Universidade Estadual do Colorado.
A NASA lembra que essa bacia costuma ter mais ciclones durante o El Niño, em curso desde junho: água quente no Pacífico equatorial e pouco cisalhamento do vento ajudam as tempestades a nascer e a ganhar força. Atrás do Polo, a tempestade tropical Rachel seguia paralela à costa sudoeste do México.
O Brasil pode ter um furacão como o Polo?
No Atlântico Sul, furacões são raríssimos. O único registrado na costa brasileira foi o Catarina, em 2004, que nasceu de um ciclone extratropical, como mostra a nossa explicação sobre a diferença entre ciclone extratropical, subtropical e tropical.
O que o Sul enfrenta nesta semana é outro fenômeno: um ciclone extratropical em alto-mar, junto com a frente fria que derruba a temperatura em São Paulo até sexta.
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