Tempo e clima

O Inmet publicou em 22 de setembro de 2026 o prognóstico da primavera: chuva acima da média no Sul e em parte do Centro-Oeste e do Sudeste, e abaixo da média na maior parte do Norte e do Nordeste

O Inmet publicou, em 22 de setembro de 2026, o prognóstico climático da primavera: chuva acima da média no Sul e em parte do Centro-Oeste, chuva abaixo da média no Norte e no Nordeste, e temperatura acima da média em quase todo o país, sob El Niño muito forte.

Mapa do prognóstico do Inmet para a primavera de 2026 com a anomalia de chuva prevista: azul no Sul e laranja no Norte

Mapa do prognóstico climático da primavera de 2026 (outubro a dezembro) com a anomalia de chuva prevista: tons de azul indicam chuva acima da média, como no Sul, e tons de laranja, abaixo da média, como no norte da Amazônia. Imagem: Inmet/Inpe/Funceme (Divulgação), 22 de setembro de 2026.

O Inmet publicou, em 22 de setembro de 2026, o prognóstico climático da primavera para o trimestre de outubro a dezembro, com a previsão de chuva e de temperatura para cada região do Brasil.

A tendência de El Niño muito forte já apareceu no Índice Niño 3.4, que chegou a 1,8°C acima da média, como mostrou a cobertura do El Niño que pode ser o mais forte desde 1950. Agora esse cenário ganha o detalhe de como a chuva e o calor devem se comportar em cada região, segundo o Inmet.

O prognóstico é regional, não é uma previsão única para o país inteiro. O Inmet espera chuva acima da média no Sul, no Centro-Oeste e em partes do Sudeste, com exceção do Mato Grosso, e chuva abaixo da média no Norte e no Nordeste. A temperatura deve ficar acima da média em quase todo o Brasil.

Chuva acima da média no Sul, com risco de temporais fortes

Para a Região Sul, o Inmet prevê chuva acima da média nos três estados, com destaque para o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e o sul e o leste do Paraná. Nesses trechos, a chuva pode superar em até 200 milímetros a média histórica do trimestre, segundo o órgão.

O volume maior de chuva costuma vir acompanhado de temporais, com vento forte e queda de granizo em episódios isolados, um padrão que a própria Região Sul já vinha registrando antes do início oficial da estação.

Mapa do Inmet com a chuva total prevista para outubro, novembro e dezembro de 2026 no Brasil
Chuva total prevista para outubro, novembro e dezembro de 2026, no prognóstico da primavera: os maiores acumulados aparecem no Centro-Oeste, no Sul e no oeste e sul da Região Norte, e os menores no Nordeste e no norte da Amazônia. Imagem: Inmet (Divulgação), 22 de setembro de 2026.

No Centro-Oeste, a previsão muda dentro do próprio Mato Grosso

Em quase toda a Região Centro-Oeste, o Inmet prevê chuva acima da média para o trimestre. A exceção é o Mato Grosso, onde a previsão aponta chuva abaixo da média, mesmo com o restante da região mais chuvoso.

O estado já vive um trimestre de seca marcante: em setembro, a área queimada no Pantanal mato-grossense já havia triplicado em relação ao ano anterior, segundo o Serviço Geológico do Brasil.

Sudeste deve ter chuva reforçada em São Paulo, no Rio e no sul de Minas

O Inmet também prevê anomalias positivas de precipitação no centro-sul de Minas Gerais, no Rio de Janeiro e em São Paulo, ou seja, chuva acima da média histórica nesses três estados durante o trimestre.

Norte tem a previsão mais seca, com déficit de até 200 milímetros

A Região Norte concentra o cenário mais seco do país, segundo o Inmet. Em Roraima, no norte e no leste do Amazonas, no norte e no oeste do Pará e no Amapá, o déficit de chuva pode chegar a 200 milímetros no trimestre.

Nem toda a região segue esse padrão: o oeste e o sul da Região Norte devem ter os maiores acumulados de chuva do trimestre, uma diferença que o próprio boletim do Inmet destaca dentro da região.

Nordeste também deve ficar mais seco, com exceção no litoral leste

O Nordeste tem os menores acumulados de chuva previstos entre as cinco regiões, principalmente nos setores leste e norte, de acordo com o Inmet. A tendência acompanha o padrão do Norte na mesma estação.

Já o leste do Nordeste foge da regra: o Inmet prevê anomalias positivas de chuva no Rio Grande do Norte, na Paraíba, em Pernambuco e em Alagoas, com volumes um pouco acima da média nesse trecho do litoral.

Temperatura deve ficar acima da média em quase todo o país

Além da chuva, o boletim traz a previsão de temperatura: acima da média em grande parte do Brasil ao longo do trimestre, um sinal que costuma acompanhar os anos de El Niño mais forte.

Mapa do Inmet com a anomalia de temperatura prevista para a primavera de 2026, em tons de laranja em quase todo o Brasil
Anomalia de temperatura média prevista para outubro, novembro e dezembro de 2026: os tons de laranja, acima da média, dominam quase todo o país. Imagem: Inmet/Inpe/Funceme (Divulgação), 22 de setembro de 2026.

As maiores anomalias positivas de temperatura são esperadas na Região Norte, onde a média pode superar em 1°C a média climatológica do trimestre, segundo o Inmet.

Por que o El Niño desloca a chuva para o Sul do Brasil?

O El Niño aquece o Pacífico e muda a circulação de ar sobre a América do Sul, o que costuma levar mais chuva ao Sul do Brasil e reduzir a umidade que chega ao Norte e ao Nordeste, na mesma direção do prognóstico da primavera.

Esse mecanismo já apareceu em El Niños anteriores e é a base do prognóstico trimestral por região, mesmo sem cravar o que vai acontecer em cada cidade a cada dia.

O padrão de chuva forte já apareceu no Rio Grande do Sul

A previsão de chuva acima da média no Sul não é só um número no papel. Em 18 de setembro, antes do início oficial da estação, o Inmet emitiu alerta laranja para 226 municípios de Santa Catarina, com vento de até 100 km/h e risco de granizo.

O episódio, registrado pelo Watts & Wild no dia seguinte ao aviso, mostra o tipo de temporal que o próprio Inmet associa ao padrão de chuva mais forte da Região Sul nesta primavera.

Na Amazônia, a seca do rio Negro segue no mesmo sentido

Enquanto o Sul se prepara para mais chuva, a Amazônia segue o caminho oposto, dentro do mesmo prognóstico. O rio Negro pode ter a terceira maior seca da série histórica em Manaus, no cenário mais severo da projeção do Serviço Geológico do Brasil.

O nível do rio, acompanhado de perto pelo Watts & Wild desde o fim de agosto, é um retrato local do déficit de chuva que o Inmet projeta para boa parte da Região Norte ao longo do trimestre.

A previsão vale para a região inteira, não para uma cidade em um dia certo

A previsão vale para a região inteira, não para uma cidade ou um dia específico. O prognóstico trimestral do Inmet mede a tendência de chuva e de temperatura contra a média histórica.

Ele não é um boletim diário, e não promete o mesmo resultado em cada município. O próprio Inmet recalcula o prognóstico a cada novo boletim, conforme os dados do Pacífico mudam ao longo da estação.

O próximo boletim do Inmet deve sair em outubro, no meio da estação

O prognóstico de primavera de 22 de setembro é o retrato do início da estação. O Inmet também publica boletins quinzenais com a evolução do Índice Niño 3.4, o indicador que baliza a força do El Niño até o fim de 2026.

Para o dia a dia da sua cidade, o caminho é sempre a previsão de curto prazo e os avisos vigentes do Inmet, não este prognóstico de trimestre. Na sua região, a chuva ou o calor já mudaram como o Inmet previu? Conta pra gente nos comentários.

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