O Inmet prevê para outubro chuva acima da média no Sul e em São Paulo, abaixo do normal no Norte, no Nordeste e em boa parte do Centro-Oeste, e temperatura acima da média em quase todo o país
A previsão climática do Inmet não diz se vai chover num dia específico. Ela mostra se o mês deve ficar mais chuvoso ou mais seco, mais quente ou mais frio que a média histórica. Para outubro, o mapa divide o país em dois, e isso pesa no plantio da soja.
O Norte, o Nordeste e o Centro-Oeste vistos pelo satélite às 11h desta terça, 29, com o sertão sem nuvens. Foto: NOAA/NESDIS/STAR, satélite GOES-19 (domínio público), via NOAA.
Setembro termina com calor forte no interior e temporais no Sul. Na segunda, 28, 42 estações do Inmet marcaram 40 °C ou mais. A pergunta de quem planta ou viaja é se outubro segue do mesmo jeito.
Pelo prognóstico do Inmet para outubro, a chuva deve ficar acima da média no Sul e em São Paulo e abaixo no Norte, no Nordeste e em boa parte do Centro-Oeste. A temperatura deve ficar acima da média em quase todo o país, com os maiores desvios no Centro-Oeste e no Sudeste.
Onde deve chover mais que o normal
No Sul, a chuva deve passar da média em cerca de 75 mm. No leste do Rio Grande do Sul, o excesso pode chegar a 200 mm acima do normal do mês.
Em São Paulo, o Inmet espera chuva mais volumosa principalmente entre Itapetininga e o Litoral Sul. Em Mato Grosso do Sul, o sudoeste e o leste também devem ter chuva acima da média.
Onde a chuva deve faltar
No Norte, a chuva deve ficar abaixo da média em grande parte de Roraima, no norte do Amazonas e no sudeste e sudoeste do Pará. O sudoeste do Amazonas, o Vale do Acre e o Amapá podem ter chuva perto ou acima da média.
No Nordeste, a maior parte deve ficar abaixo do normal, com falta de chuva entre o leste de Sergipe e o nordeste da Bahia e no sul baiano. No Centro-Oeste, a chuva abaixo da média se concentra em Mato Grosso, Goiás, no Distrito Federal e no Pantanal.
O calor na previsão para outubro
O maior desvio de temperatura previsto é no centro de Goiás e no Distrito Federal, com média mais de 2 °C acima do normal de outubro. Em Minas Gerais, o desvio também pode passar de 2 °C, e no norte de São Paulo pode chegar a 2 °C.
No Norte, o calor extra fica entre 1,5 °C e 2 °C, sobretudo no centro do Pará e no Acre. No Nordeste, chega a 1,5 °C no Matopiba e a 2 °C no centro da Bahia. No Sul, o Paraná pode ter até 1,5 °C a mais, e Santa Catarina e Rio Grande do Sul, até 1 °C.
Por que a soja pode atrasar no Norte e no Nordeste?
Chuva abaixo da média com calor acima do normal faz o solo perder água mais rápido. No sudeste do Pará, onde a soja está em semeadura, o Inmet diz que o início efetivo do plantio pode atrasar.
Onde a soja for plantada depois de chuvas isoladas, um período seco em seguida pode fazer a lavoura nascer desigual e até exigir replantio. O Inmet cita esse risco no Tocantins, no sul do Maranhão, no sudoeste do Piauí e no oeste da Bahia.
No Sul, o problema pode ser o excesso de água
Chuva frequente com calor favorece doenças nas lavouras. No trigo em floração, o Inmet aponta aumento do risco de giberela, um fungo que ataca a espiga.
O instituto também prevê janelas mais curtas de tempo seco para preparar o solo e semear soja e milho. No arroz irrigado, as áreas de baixada, onde a água escoa devagar, pedem mais atenção. No pasto, o conselho é evitar que o gado pisoteie demais o solo encharcado.
São Paulo ganha chuva, Minas e o café pedem atenção
Em São Paulo, a chuva mais frequente deve favorecer a semeadura da soja, e a combinação com calor pode ajudar cana-de-açúcar, hortaliças, frutas e pastagens. O lado ruim é mais trabalho com pragas e doenças.
Em Minas Gerais e no Espírito Santo, a chuva irregular com calor preocupa o café. Segundo o Inmet, isso pode prejudicar a uniformidade da florada e o pegamento dos frutos, justamente na fase que define a próxima safra.
Tendência do mês não é aviso de temporal
O mapa compara o mês inteiro com a média histórica. Ele não diz em que dia vai chover, e um outubro mais chuvoso que o normal no Sul não impede dias secos, nem um outubro mais seco no Centro-Oeste impede pancadas fortes.
Há também diferenças dentro da mesma região. No Rio de Janeiro, o Inmet prevê chuva perto da média, mas mal distribuída. No Rio Grande do Sul, a faixa central deve ficar com temperatura mais perto do normal.
Quem mais sente a falta de chuva no Nordeste
No semiárido, outubro já é um mês seco. Com chuva abaixo ou perto da média e calor, o Inmet espera irrigação mais intensa nos polos de frutas dos vales dos rios São Francisco e Jaguaribe.
O mesmo cenário pode segurar a rebrota do pasto e reduzir a forragem para o gado criado solto. No Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul deve ter situação mais favorável que Mato Grosso e Goiás, com mais chuva para recuperar a umidade do solo.
E a primeira semana do mês
Para os próximos dias, valem os avisos diários. A quarta, 30, tem alerta laranja de temporal em São Paulo, no Paraná e no Rio, como mostram a cobertura do temporal no Sul e a matéria sobre o alerta laranja no RJ.
A tendência para a estação inteira está na previsão da primavera por região. O Inmet atualiza o prognóstico no fim de cada mês.
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