Tubarão de 3,5 metros preso num canal da Coreia do Sul driblou o resgate, virou embaixador de Busan e é de uma espécie ameaçada no Brasil
O Bukang-i apareceu num canal estreito do Porto Norte de Busan em 18 de setembro e não saiu mais. Cerca de 600 mil pessoas foram vê-lo, a cidade fez dele embaixador honorário, e nesta terça a primeira operação oficial para levá-lo de volta ao mar aberto falhou. A próxima já tem data.
O tubarão Bukang-i e os visitantes na margem do canal, em Busan. Reprodução/Prefeitura de Busan, vídeo oficial do canal Busan Tube.
Um tubarão de 3,5 metros nadando em círculos num canal de parque, a poucos metros de uma fila de gente com o celular na mão. É essa a cena que virou atração na segunda maior cidade da Coreia do Sul.
O tubarão continua preso no canal: a operação desta terça, 29, com cinco barcos e jatos de água, não conseguiu levá-lo ao mar. A nova tentativa, com uma rede feita sob medida, está prevista para sexta-feira, 2 de outubro, segundo o Korea Herald.
Como o tubarão foi parar no canal?
O animal foi visto pela primeira vez em 18 de setembro num canal artificial do parque à beira-mar do Porto Norte de Busan. O canal tem cerca de 1,5 quilômetro de comprimento, de 30 a 60 metros de largura e só 2,5 metros de fundura na maré baixa, 4 metros na alta.
Os moradores deram a ele o apelido de Bukang-i, que junta Bukhang, o nome coreano do Porto Norte, com uma terminação carinhosa. No começo, a guarda costeira tentou espantá-lo para fora, mas ele não deixou o canal e a ação foi suspensa, contou o Korea Times.
600 mil pessoas foram ver o tubarão
De 19 a 28 de setembro, cerca de 600 mil pessoas passaram pelo parque, segundo o comunicado da Prefeitura de Busan. Só no feriado de Chuseok, a grande festa da colheita coreana, foram 483 mil em quatro dias.
O pico foi no sábado, 26, com 140 mil visitantes. Num feriado comum, o parque recebe em média 2 mil pessoas por dia, ou seja, o tubarão levou 50 vezes mais gente já no primeiro dia do feriado.
O que deu errado no resgate desta terça
A operação começou às 10h (horário da Coreia) com cinco embarcações, entre elas uma lancha de patrulha de 4,6 toneladas e um barco de resgate de 3 toneladas. A ideia era jogar jatos de água atrás do tubarão para criar espuma, barulho e vibração e empurrá-lo devagar para a saída.
Ele não aceitou o empurrão. O tubarão passava em alta velocidade por trás dos barcos ou afundava e sumia, e a operação foi encerrada no meio da tarde, relataram o Korea Times e o Korea Herald.
O plano B é uma rede do tamanho do canal
Pelo plano divulgado pela prefeitura, a rede vai fechar o canal por etapas, de dentro para fora, para o tubarão não voltar para o fundo do canal. Só fica aberto o caminho para o mar. A ideia é não capturar nem machucar o animal, só fazê-lo sair sozinho.
O método se inspira num caso de 2004 nos Estados Unidos, quando um tubarão-branco de mais de 4 metros ficou cerca de duas semanas preso numa área alagada de água salgada em Massachusetts e foi guiado de volta ao oceano.
Por que não deixar o tubarão lá?
Muita gente na Coreia pergunta por que não esperar ele sair por conta própria. O instituto de pesca do país diz que o tubarão está nadando e respirando normalmente, mas ninguém o viu comer desde que chegou ao canal, e a prefeitura teme que ele vá perdendo força.
"É um tubarão-fidalgo, uma espécie que caça em até 100 metros de profundidade. Não é saudável para um animal selvagem ficar tanto tempo num canal tão apertado", disse ao Korea Herald o pesquisador Ji Hwan-sung, do Instituto Nacional de Ciência Pesqueira.
A cidade transformou o tubarão em embaixador
A prefeitura fez uma enquete no Instagram oficial, e 91% das mais de 8.200 pessoas que votaram aprovaram dar ao Bukang-i o título de embaixador honorário de Busan. Os vídeos do tubarão passaram de 1,05 milhão de visualizações.
Como o homenageado não pode ir à cerimônia, quem recebe o diploma no lugar dele é o Boogi, mascote da cidade. "Mais de 8 mil cidadãos mandaram a opinião diretamente", disse o prefeito Jeon Jae-soo no comunicado.
O mesmo tubarão está ameaçado no Brasil
O tubarão-fidalgo (Carcharhinus obscurus) também vive no litoral brasileiro. Na lista oficial de espécies ameaçadas do país, a Portaria MMA 148, de 2022, ele aparece na categoria Em Perigo.
É um tubarão de mar aberto e de águas fundas, o que ajuda a entender por que um canal de 4 metros é um lugar tão fora do comum para ele.
Aqui no site, outras histórias do mar incluem a bolsa de sereia do tubarão-lixa, a jubarte que foi de Abrolhos à Austrália e o filhote de elefante-marinho em Jaguaruna.
Perguntas rápidas
Que tubarão é o Bukang-i?
Segundo o pesquisador Ji Hwan-sung, do Instituto Nacional de Ciência Pesqueira da Coreia, ele é um tubarão-fidalgo (Carcharhinus obscurus), espécie que caça em águas de até 100 metros de profundidade. Ele tem cerca de 3,5 metros.
Quando será a nova tentativa de tirar o tubarão do canal?
A nova tentativa está prevista para sexta-feira, 2 de outubro, com uma rede feita sob medida para a largura e a profundidade do canal, que vai fechando o caminho de volta e deixa aberta só a saída para o mar.
O tubarão-fidalgo existe no Brasil?
Existe. A espécie Carcharhinus obscurus está na lista nacional de espécies ameaçadas, na categoria Em Perigo, pela Portaria MMA 148, de 2022.
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