Sucuri-amarela de quase 4 metros cruza a Transpantaneira: o maior exemplar que um guia de 25 anos já viu
Uma cobra de comprimento estimado em 4 metros atravessou a estrada de terra mais famosa do Pantanal, em meio a chuvisco e céu fechado. O guia que a filmou trabalha na região há mais de 25 anos e diz que nunca tinha visto uma tão grande.
Sucuri-amarela enrolada no chão. Imagem de arquivo, não é o animal da Transpantaneira. Foto: Bernard Dupont, Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 2.0, recortada.
Um guia de turismo filmou uma sucuri-amarela de cerca de 4 metros no quilômetro 16 da Transpantaneira, em Poconé (MT). A medida é estimativa dele: o animal não foi capturado nem medido por ninguém, segundo a Folha de Curitiba, que publicou o caso em 6 de outubro.
O guia é Marcos Halem Félix. Ele contou que era o terceiro registro de sucuri em 15 dias de trabalho na região e que a cobra estava entre a vegetação e a água, num dia nublado e com chuviscos.
O que o guia viu na Transpantaneira
A Transpantaneira é a estrada de terra que entra no Pantanal mato-grossense a partir de Poconé. O local da filmagem tem muitos jacarés, mas, segundo a reportagem, o guia não viu ataque nem disputa entre os bichos.
Félix disse que a sucuri é "com certeza, a maior que já avistei em toda a minha vida". As imagens circularam nas redes sociais.
Quanto mede uma sucuri-amarela?
Os números de referência são mais baixos que os 4 metros do guia. Em reportagem de O Eco, pesquisadores do Pantanal escrevem que fêmeas mais velhas da sucuri-amarela chegam a 3,7 metros e 30 quilos. As fêmeas são maiores que os machos.
Pela conta da redação, 4 metros seriam cerca de 8% acima dos 3,7 metros citados. Não é uma diferença impossível, mas uma trena resolveria a dúvida, e ninguém usou uma. Vale ler o número como o olhar de alguém experiente, não como medida.
Amarela ou verde: como separar as duas
A sucuri-verde é bem maior. Segundo O Eco, ela passa de 5 metros e pode chegar a 100 quilos. No Pantanal, porém, é rara, e o mais provável é topar com a amarela.
| Característica | Sucuri-amarela | Sucuri-verde |
|---|---|---|
| Nome científico | Eunectes notaeus | Eunectes murinus |
| Tamanho citado | Fêmeas mais velhas chegam a 3,7 m e 30 kg | Pode passar de 5 m e chegar a 100 kg |
| Manchas | Pretas, atravessam o dorso em forma de sela | Escuras, menores e circulares, nas laterais |
| Onde vive | Só em áreas que inundam todo ano, ligadas às cheias do Rio Paraguai | Rios e outros corpos d'água, com influência da Amazônia e do Cerrado |
| No Pantanal | Mais provável de encontrar | Rara |
Arte: Watts & Wild, com dados da reportagem de O Eco sobre convivência com sucuris.
As manchas também ajudam: na amarela, elas cortam o dorso de um lado ao outro, como uma sela, e a cor de fundo vai do amarelo vivo nos jovens ao verde-oliva ou marrom-escuro nos mais velhos.
Por que uma sucuri aparece em dia nublado
O guia achou o horário incomum, porque a espécie costuma procurar calor. A ficha da pesquisadora Natália Smaniotto, apresentada na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia de 2023, traz um dado que mexe nessa ideia: a sucuri-amarela é semiaquática, tem atividade diurna e noturna e fica ativa o ano todo.
Ou seja, ver uma sucuri fora do sol de meio-dia não é, por si só, sinal de comportamento estranho. Nenhuma das fontes explica por que esta apareceu naquele momento, e a redação não tem como afirmar o motivo.
Não tem veneno, mas pede distância
A sucuri-amarela é constritora e não produz peçonha, de acordo com a ficha da pesquisadora. Os autores de O Eco dizem que ataques a pessoas são raros: em 330 casos de contato estudados pelo grupo, só um foi ataque sem provocação, e a pessoa se salvou.
O risco aparece perto da água, quando alguém limpa peixe ou lava utensílio com cheiro de carne, porque a cobra enxerga mal e se guia pelo olfato.
Em Mato Grosso, a pesca está proibida em todos os rios até 31 de janeiro de 2027, pelo defeso da piracema. Se uma cobra aparecer dentro de casa, o caminho é o das orientações do Ministério da Saúde sobre cobra em casa.
Uma espécie que depende da água
A mesma ficha lista atropelamento em rodovias entre as ameaças à sucuri-amarela, ao lado da retaliação por medo e da perda de áreas úmidas.
A espécie tem classificação "pouco preocupante" no nível global, segundo a IUCN citada no material, mas depende de áreas alagadas, que encolhem com a seca e o fogo que castigam o Pantanal em 2026.
Bicho silvestre que cruza onde a gente passa não é novidade: um jacaré parado na porta de uma casa em Buritama mostrou o mesmo padrão, em outro estado.
Tamanho e espécie vêm do olho do guia
O tamanho vem de uma estimativa do guia, sem captura e sem medição oficial, e a identificação da espécie também é dele, não de um pesquisador. A reportagem original não traz a data exata da filmagem, só que foi publicada em 6 de outubro.
O vídeo não foi aberto pela redação, por isso nenhum detalhe das imagens entra no texto além do que a reportagem relata. Quem passar pela estrada deve manter distância e não tentar tocar ou mover o animal.
Fontes: Folha de Curitiba, 6 de outubro de 2026. O Eco, O dilema de conviver com sucuris. Natália Smaniotto, ficha sobre o gênero Eunectes, SNCT 2023, INPP/gov.br.
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