Avião-laboratório alemão mede CO2 e metano em Mato Grosso
Um jato executivo cheio de lasers e sensores decolou de Cuiabá para medir, do ar, quanto CO2 e metano sobem do Pantanal, do Cerrado e da Amazônia. A campanha reúne cerca de 120 cientistas do Brasil e da Alemanha e quer separar o gás da natureza do gás da ação humana.
O HALO, avião de pesquisa do DLR, em voo. Na frente do nariz aparece a haste listrada de vermelho e branco. Foto de arquivo: DLR, Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 4.0, recortada.
O avião-laboratório alemão HALO mede CO2 e metano em Mato Grosso e em outros biomas como parte da campanha CoMet 3.0 Tropics. O jato é operado pelo Centro Aeroespacial Alemão (DLR), tem base em Cuiabá e voa com pesquisadores do Inpe, da Unemat e de mais instituições brasileiras, segundo a CenárioMT.
O que o avião-laboratório alemão faz no Brasil
A missão CoMet 3.0 Tropics mapeia as concentrações de dióxido de carbono (CO2) e metano (CH4) sobre Pantanal, Cerrado e Amazônia. O consórcio inclui DLR, Unemat, Inpe, UFMT, Instituto Nacional de Pesquisa do Pantanal, Sema-MT, Seciteci-MT e a Fapemat, que financia.
São cerca de 120 pessoas, 60 alemãs e 60 brasileiras. No Brasil, a coordenação é do pesquisador Dirceu Herdies, do Inpe. Do lado alemão, quem coordena é Andreas Fix, do DLR, segundo o Campo Grande News.
Um jato executivo que virou laboratório
O HALO é um Gulfstream G550 transformado em avião de pesquisa. Ele opera entre 850 metros e 15 mil metros de altitude, perto do limite da troposfera, o que deixa a equipe medir o ar em várias camadas.
Chegou ao Brasil em 25 de julho, por Fortaleza, e fez as primeiras medições em Goiás, na represa de Serra da Mesa. Reservatórios com mata submersa emitem metano naturalmente, segundo o Campo Grande News. A Aeroin conta que o avião voou também sobre uma área de terras raras e uma fazenda de gado em Goiás.
Como o avião mede metano a 15 mil metros
O HALO usa dois métodos. No primeiro, instrumentos puxam o ar que passa pelo avião e medem o gás ali mesmo. No segundo, o sensoriamento remoto, o avião olha para baixo e calcula quanto gás há na coluna de ar entre ele e o chão.
O sensor principal de sensoriamento remoto é um lidar, que dispara pulsos de laser e mede CO2 e metano, segundo o Campo Grande News. A página do DLR lista também um espectrômetro que usa a luz do Sol e frascos que guardam amostras de ar para análise em terra.
| Instrumento | O que mede | Como mede |
|---|---|---|
| CHARM-F | CO2 e metano na coluna de ar entre o avião e o chão | Lidar: pulsos de laser |
| MAMAP2D | CO2 e metano na coluna de ar entre o avião e o chão | Espectrômetro de imagem que usa a luz do Sol |
| JIG e MIRO MGA | CO2, metano, monóxido de carbono e vapor de água, entre outros gases | Análise do ar que entra no avião |
| JAS | Frascos de ar para medir gases e isótopos de carbono no laboratório | Coleta de amostras em voo |
| mini-DOAS | Gases como dióxido de nitrogênio e formaldeído, de queimadas e da química do ar | Espectrômetro óptico de seis canais |
Arte: Watts & Wild, com dados da página do projeto CoMet 3.0 Tropics no DLR. A lista é a carga prevista, e o DLR não traz tabela de uso por voo.
Pantanal, Cerrado e Amazônia: uma pergunta para cada bioma
"O avião vai voar sobre o Pantanal para verificar as emissões de metano das regiões alagadas. A Amazônia é extremamente importante para conhecermos o balanço de carbono. No Cerrado, nosso foco são as emissões das queimadas", explicou Luiz Machado, professor de física da USP e pesquisador do observatório ATTO.
O metano pesa porque aquece a atmosfera bem mais que o CO2, segundo as fontes da campanha. A área de voo inclui Corumbá (MS), Palmas (TO), Santarém (PA), a torre ATTO, ao norte de Manaus, e Porto Velho (RO).
Os primeiros voos: 8 horas no ar em um dia
Em 31 de julho, o avião fez duas saídas de Cuiabá sobre o Pantanal, na região de Corumbá. Dados do FlightRadar24, citados pelo Campo Grande News, mostram a primeira decolagem às 8h20, com 5 horas e 42 minutos no ar, e a segunda às 18h16, com 2 horas e 26 minutos.
Pela nossa conta, foram 8 horas e 8 minutos de voo no primeiro dia. O Campo Grande News fala em cerca de 15 voos científicos até meados de setembro.
Separar o gás natural do gás da queimada
O DLR explica que, nos trópicos, emissões naturais se misturam com as da agricultura, do lixo, da energia e dos incêndios. Terras alagadas tropicais contribuem para o ciclo global do carbono ainda mais que as do Ártico, diz a página do projeto.
A falta de dados atrapalha: terreno de difícil acesso e nuvens espessas limitam satélites e estações no chão. A CenárioMT descreve o desafio como calibrar modelos que separam o gás natural do Pantanal do que vem de queimadas, manejo do solo e pecuária.
Para que servem os dados
As medições ajudam a validar satélites de gases de efeito estufa, como o franco-alemão MERLIN, o Sentinel-5 e a missão CO2M da Europa, segundo o DLR. A equipe de Heidelberg usa um espectrômetro DOAS para estudar a fumaça de queimadas e sua química.
Segundo a CenárioMT, o mapeamento deve servir de base técnica para o governo de Mato Grosso comprovar suas metas de descarbonização e orientar o combate a incêndios. A Unemat cruza as medições do jato com coletas de água e solo.
Quem quer entender o outro lado do problema pode ler sobre a área queimada no Pantanal em 2026 e como a fumaça chega longe do fogo. Para o lado da água, veja o nível do rio Paraguai em Ladário.
O que a missão ainda não mostrou
Os calendários divulgados pelo DLR, pela Universidade de Heidelberg e pelo Campo Grande News vão de 31 de julho a meados de setembro. A CenárioMT trata a missão como em andamento em 8 de outubro, e a data de fim dos voos em Mato Grosso precisa de confirmação.
Nas páginas do DLR e de Heidelberg, ainda não há resultado publicado: nenhum número de emissão do Pantanal saiu até agora. O ganho em Mato Grosso, como os pesquisadores descrevem, está no método e nos dados que virão depois do processamento.
Fontes: CenárioMT, 8 de outubro de 2026. DLR, página do projeto CoMet 3.0 Tropics. Universidade de Heidelberg, Instituto de Física Ambiental, 31 de julho de 2026. Campo Grande News, 3 de agosto de 2026. Aeroin, 4 de agosto de 2026.
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