Uma raia-manta gigante, com envergadura estimada em 5,8 metros, foi registrada em alto-mar de Guarapari, no Espírito Santo, por uma expedição do Instituto O Canal/Jubarte.lab em julho de 2026
Uma expedição de monitoramento de baleias avistou, a 37 km da costa de Guarapari (ES), uma Mobula birostris de cerca de 5,8 metros de envergadura, medida por fotogrametria de drone. É apenas o terceiro registro científico da espécie no litoral capixaba em dez anos.
Raia-manta (Mobula birostris), a espécie registrada em alto-mar de Guarapari: não é foto do animal capixaba, mas mostra as características da espécie. Foto: Daniel Sasse/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).
Uma expedição do Instituto O Canal/Jubarte.lab, ligado ao Instituto Amigos da Jubarte, avistou em alto-mar de Guarapari, no Espírito Santo, uma raia-manta da espécie Mobula birostris com envergadura estimada em 5,8 metros por fotogrametria de drone. Foi apenas o terceiro registro científico da espécie na costa capixaba em dez anos, segundo a equipe.
Uma raia-manta gigante, da espécie Mobula birostris, apareceu na segunda-feira (27 de julho de 2026) em alto-mar na altura de Guarapari, no Espírito Santo, a cerca de 20 milhas náuticas (37 km) da costa. O animal foi flagrado por uma expedição do Programa de Monitoramento de Cetáceos do Porto de Tubarão, tocado pelo Instituto O Canal/Jubarte.lab.
A bióloga marinha Bruna Rezende Gonçalves, mestranda em Oceanografia Ambiental pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e coordenadora da saída, contou que a equipe chegou à linha de Guarapari às 8h20 quando avistou o animal por perto, segundo reportagem d'A Gazeta.
Uma equipe de cinco pesquisadores registrou, em alto-mar de Guarapari (ES), uma raia-manta com envergadura estimada em 5,8 metros, medida por fotogrametria a partir de imagens de drone. É uma estimativa: os pesquisadores não capturaram nem tocaram o animal, que segue solto no oceano.
Onde e quando a raia-manta gigante foi flagrada em Guarapari
O registro aconteceu na segunda-feira, 27 de julho de 2026, numa embarcação que navegava a cerca de 20 milhas náuticas (37 km) da costa de Guarapari, já em mar aberto. Por volta das 8h20, a equipe avistou o animal nadando perto do barco, segundo o relato da coordenadora à imprensa.
A raia-manta ficou nos arredores da embarcação por cerca de uma hora, tempo suficiente para os pesquisadores registrarem o encontro com drone e celular. Foi esse tempo prolongado perto do barco que permitiu calcular as medidas do animal à distância, sem precisar se aproximar dele na água.
Quem é a equipe que registrou o animal em alto-mar
A expedição fazia parte do Programa de Monitoramento de Cetáceos do Porto de Tubarão, conduzido pelo Instituto O Canal/Jubarte.lab, ligado ao Instituto Amigos da Jubarte. A coordenadora da saída, Bruna Rezende Gonçalves, é bióloga marinha e mestranda em Oceanografia Ambiental pela Ufes.
Cinco pessoas estavam a bordo, entre elas um marinheiro e três outras pesquisadoras, quando a raia-manta apareceu. "Foi um presente da natureza poder observar um animal tão bonito e tão perto e por tanto tempo", disse Bruna Rezende à imprensa capixaba.
Como os pesquisadores mediram os 5,8 metros de envergadura
Sem poder capturar ou tocar a raia-manta, a equipe recorreu à fotogrametria, técnica que calcula o tamanho real de um objeto a partir de fotos ou vídeos, comparando proporções na imagem. As imagens usadas vieram do drone que sobrevoou o animal enquanto ele nadava perto do barco.
A envergadura de 5,8 metros, de ponta a ponta das nadadeiras, é uma estimativa, não uma medição direta com fita métrica. Outro cálculo feito a partir das mesmas imagens aponta pouco mais de 3 metros da cabeça ao início da cauda, e um peso estimado em cerca de 1,2 tonelada.
O que é a Mobula birostris, a maior espécie de raia do mundo
A Mobula birostris, popularmente chamada de raia-manta ou jamanta, é a maior espécie de raia que existe. Um exemplar adulto pode chegar a 8 metros de envergadura e pesar cerca de duas toneladas, segundo os dados repassados pelos próprios pesquisadores à imprensa.
O corpo achatado em forma de losango e as duas nadadeiras peitorais que lembram um manto são a marca registrada do animal, e é daí que vem o apelido em inglês, manta ray. Apesar do tamanho descomunal, a espécie costuma nadar nas camadas mais próximas da superfície do mar.
Raia-manta é perigosa para quem nada no mar?
Não. A Mobula birostris é descrita como inofensiva a seres humanos pelos pesquisadores que a registraram em Guarapari. Diferente de outras raias, ela não tem ferrão nem espinho na cauda, então não representa risco de picada para quem cruza seu caminho na água.
O biólogo João Luiz Gasparini, especialista ouvido pela Tribuna Online, descreve a espécie como "dócil e curiosa", do tipo que costuma se aproximar de mergulhadores em vez de fugir. A velocidade e o próprio tamanho são a única defesa do animal, já que ele não tem outra forma de se proteger.
O que a raia-manta come?
A dieta da raia-manta é só plâncton e pequenos peixes, capturados por filtração enquanto o animal nada de boca aberta pela água. É um jeito de se alimentar parecido com o de baleias filtradoras, bem diferente do que se imagina ao ver um bicho tão grande.
Essa dieta explica por que a espécie não ataca peixes maiores nem qualquer outro animal do tamanho de uma pessoa. A boca larga, na ponta da cabeça, foi feita para coar organismos microscópicos da água, não para morder presas.
Por que a espécie aparece tão pouco no litoral do Espírito Santo
Embora a Mobula birostris ocorra naturalmente na costa brasileira, avistamentos como o de Guarapari são raros. Segundo o Instituto O Canal/Jubarte.lab, foi apenas o terceiro registro científico da espécie no litoral capixaba em dez anos de expedições do programa.
A raridade tem explicação: a espécie prefere águas abertas e profundas, longe da faixa de praia que concentra a maioria dos avistamentos de bicho marinho. Não é a primeira vez que um achado raro debaixo d'água surpreende pesquisadores no litoral brasileiro: foi assim também com o achado de 16 bolsas de sereia de tubarão-lixa em Fernando de Noronha.
Por que a raia-manta está ameaçada de extinção
A Mobula birostris está classificada como em perigo de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), segundo a reportagem da Tribuna Online. Entre as principais ameaças à espécie estão a captura acidental em redes de pesca e a colisão com embarcações.
Cada avistamento documentado, como o de Guarapari, vira um dado a mais para pesquisadores entenderem por onde a espécie se desloca na costa brasileira, informação que ajuda a apontar onde a proteção é mais urgente.
O que o registro de Guarapari não confirma
As fontes não dizem se a raia-manta de Guarapari é a mesma que apareceu em registros anteriores no Espírito Santo, nem revelam o sexo ou a idade do animal. A medida de 5,8 metros é uma estimativa por imagem, sem captura física para conferir peso e tamanho exatos.
Também não há garantia de que o mesmo trecho de mar vá repetir esse tipo de encontro tão cedo. Os próprios pesquisadores tratam o caso como raro, não como sinal de que a espécie passou a frequentar a região com mais regularidade.
O litoral capixaba segue no radar de quem estuda baleia e raia-manta
O Instituto O Canal/Jubarte.lab mantém o Programa de Monitoramento de Cetáceos do Porto de Tubarão em atividade, o mesmo tipo de expedição que também acompanha a temporada das baleias-jubarte no litoral brasileiro. Cada nova saída ao mar é uma chance de registrar outro encontro raro como o de Guarapari.
A raia-manta de Guarapari entra para uma lista curta de registros documentados da espécie no Espírito Santo, ao lado de outras espécies marinhas que também preocupam pesquisadores. É o caso do peixe-boi-marinho, classificado como criticamente ameaçado.
Você já tinha ouvido falar da raia-manta antes, ou essa foi a primeira vez que soube que existe um bicho desse tamanho no mar brasileiro? Conte nos comentários.
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