Gambá entra em casas de São Paulo, Porto Alegre e Rio de Janeiro na primavera, e as prefeituras orientam não tocar no animal nem tentar afastá-lo sozinho
Gambá dentro de casa é situação comum na primavera, quando a espécie sai em busca de comida e abrigo. Prefeituras de São Paulo, Porto Alegre e Rio de Janeiro orientam não tocar no animal, não tentar capturá-lo sozinho e acionar o serviço público de fauna, que remove o bicho vivo e saudável.
Gambá-de-orelha-branca (Didelphis albiventris) fotografado em área de mata em São Paulo. Foto: Gionorossi/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).
Um gambá-de-orelha-branca (Didelphis albiventris) surge dentro de uma casa e a primeira reação de muita gente é gritar, correr atrás de vassoura ou tentar pegar o bicho pelo rabo. Segundo a Prefeitura de São Paulo, nada disso ajuda: o animal só quer sair.
A espécie é comum em áreas urbanas de todo o país e costuma entrar em busca de comida, água ou um lugar quieto para descansar. Guardas municipais de fauna de São Paulo, Porto Alegre e Rio de Janeiro recebem esse tipo de chamado com frequência, sobretudo na primavera, época de reprodução do animal.
A orientação oficial é sempre a mesma: não tocar no gambá e não tentar removê-lo sozinho. Abra portas e janelas para o animal encontrar saída, mantenha crianças e animais domésticos afastados e acione o serviço de fauna da prefeitura, que resgata o bicho vivo e o solta longe da área urbana.
O que fazer quando um gambá entra em casa
As prefeituras orientam manter a calma e abrir uma rota de saída, como portas e janelas do lado de fora. Desligue as luzes internas e deixe o ambiente mais escuro, porque o gambá tem hábitos noturnos e tende a seguir para a saída sozinho.
Segundo a Secretaria de Meio Ambiente de São Paulo, o ideal é afastar cães e gatos do local e evitar barulho ou movimentos bruscos, que deixam o animal mais assustado e mais propenso a se agarrar onde está.
O que nunca fazer com o gambá dentro de casa
Nunca pegue o gambá com as mãos, mesmo com luvas, nem tente empurrá-lo com vassoura ou pano. A Prefeitura de Porto Alegre orienta não interferir nos hábitos do animal e deixar que ele saia por conta própria.
Matar ou maltratar o gambá também é proibido: a espécie é silvestre e protegida por lei, segundo a Prefeitura de Porto Alegre, que reforça essa orientação em campanhas de educação ambiental para moradores.
Por que o gambá entra em casas nesta época do ano
Pela Prefeitura do Rio de Janeiro, a chegada da primavera marca o início da temporada reprodutiva dos animais silvestres nas cidades, e os chamados para resgate de gambá aumentam nesse período.
Em setembro de 2020, a Patrulha Ambiental do Rio resgatou 40 gambás em um único dia, a maioria filhotes, distribuídos entre as zonas Oeste, Sul e Norte da cidade, segundo balanço divulgado pela prefeitura.
Quantos gambás as cidades resgatam por ano
O veterinário Jeferson Pires, citado pela Prefeitura do Rio, conta que a cidade chega a receber de 60 a 80 animais silvestres por dia durante o pico da primavera, entre eles muitos gambás filhotes.
No total, o Rio de Janeiro resgata cerca de 1.300 gambás por ano, segundo a prefeitura. Os animais saudáveis são soltos de volta na natureza, longe da área urbana, depois de avaliados por veterinários. Outro bicho silvestre flagrado perto de moradias foi o jacaré encontrado na porta de uma casa em Buritama (SP).
O gambá pode transmitir alguma doença para quem mora na casa?
Segundo a Secretaria de Meio Ambiente de São Paulo, a urina do gambá pode transmitir leptospirose e as fezes podem carregar vermes. Uma mordida, embora rara, também traz risco de transmitir raiva.
Por isso a orientação oficial é desinfetar com água, sabão e álcool os locais por onde o animal passou, sem tocar diretamente na sujeira, e não é preciso entrar em pânico com contato indireto.
Quem chamar para tirar o gambá de casa
Em São Paulo, o contato é o telefone (11) 5187-0100 ou o número 156, da Prefeitura, ligados à Divisão de Fauna Silvestre da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente.
Em Porto Alegre, o canal é o 156, disponível 24 horas, ou o WhatsApp da Equipe de Fauna, (51) 3289-7517, que atende de segunda a sexta. No Rio de Janeiro, o chamado vai para a Central 1746.
Como é o gambá-de-orelha-branca, o mais comum nas cidades
O gambá-de-orelha-branca (Didelphis albiventris) é um marsupial de hábitos solitários e noturnos, com focinho comprido, orelhas arredondadas e cauda longa e preênsil, usada para se equilibrar em galhos e estruturas. Quem se interessa por outro bicho silvestre discreto do Brasil pode conhecer o cachorro-vinagre registrado em áreas do Sesc Pantanal.
De acordo com a Prefeitura de São Paulo, a espécie come de tudo, de insetos e pequenas cobras a ovos de pássaros e frutas, que respondem por cerca de um quarto da dieta do animal.
Por que o gambá ajuda a controlar pragas urbanas
A Prefeitura de Porto Alegre lembra que o gambá se alimenta de baratas, carrapatos e escorpiões, o que ajuda a reduzir a presença desses animais em quintais e jardins nas cidades.
A espécie também dispersa sementes ao se alimentar de frutas, contribuindo para a regeneração de áreas verdes, segundo a prefeitura gaúcha, que classifica o gambá como um vizinho útil, não uma ameaça.
O que as prefeituras ainda tratam cada uma a seu modo
Não existe uma cartilha nacional única sobre o que fazer com um gambá dentro de casa: cada prefeitura organiza o próprio serviço de resgate, com números de telefone e horários de atendimento diferentes.
As orientações de fundo, porém, coincidem nas três cidades consultadas: não tocar no animal, não matá-lo e chamar o serviço público de fauna, e não foi localizada nenhuma recomendação oficial em sentido contrário.
Como evitar que o gambá volte a entrar em casa
A Prefeitura de Porto Alegre recomenda revisar periodicamente telhados e forros, pontos onde o gambá costuma se abrigar, e vedar frestas que dão acesso ao interior da casa.
Manter o lixo bem fechado e não deixar comida de animais domésticos exposta à noite também reduz o interesse do gambá pelo quintal, já que ele entra atrás de comida e abrigo. Outro caso recente de bicho silvestre resgatado dentro de uma casa foi o do furão-da-Amazônia criado por engano como animal de estimação em Manaus.
O que fica valendo para quem encontrar um gambá em casa
O gambá dentro de casa é situação comum na primavera e, na visão das prefeituras consultadas, não exige pânico: o procedimento é abrir caminho para o animal sair e chamar o serviço oficial de fauna.
Você já teve um gambá visitando o quintal ou a casa? Conte como foi nos comentários.
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